Vídeo games ainda falham em representar um químico

Qualquer químico explorando a longínqua galaxia de Andrômeda no ultimo jogo Mass Effect possivelmente será surpreendido. Vá até o laboratório de química e – surpresa – você chegou no bar. O solitário químico da equipe, desanimado e desconsolado, foi remanejado para a função de misturar bebidas. “Bem vindo ao meu laboratório”, ele diz. “Bar. Tanto faz. Pegue uma bebida.”

A química sempre foi o primo pobre da ciência nos vídeo games, mas em Mass Effect: Andrômeda caímos a um outro nível. O jogo te põe na pele de um colonizador em uma jornada de 600 anos para um nova galaxia, juntamente com engenheiros, cientistas e grupos militares. Você pode andar pela sua base, conversar com outros personagens sobre seus interesses científicos e aprender mais sobre biologia extraterrestre, física de buracos negros ou mineração em asteroides. Aparentemente, química ainda é menos importante para uma missão intergalática do que uma sessão de bebedeira. “Preciso de cobaias, …” diz o então químico/barman ao pedir que experimente seu drink mais recente. Daí, então, as 60 horas de viagem pelos planetas em busca de novos elementos é silenciosamente ignorada.

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Fonte: © MH Jeeves

Enquanto Mass Effect: Andrômeda possa ser uma das maiores falhas na representação de um químico dentro de um jogo, ele não esta sozinho ao tentar incorporar ciência em seu conteúdo. Fallout 4, um favorito nesse quesito, possuí uma grande quantidade de “Estações de química” espalhadas pela cidade de Boston em um cenário pós-apocalíptico. Nos anos 90, Fallout 2 possuía uma quest que te colocava na busca de jornais de química para poder fortalecer sua armadura. Outros jogos atribuem a personagens com moléculas tatuadas em seus corpos a legião de químicos. No jogo Tomb Raider, lançado em 2013, aparecia um personagem que possuía a estrutura molecular de cafeina tatuada no seu pescoço – completamente ridículo! No épico Grand Theft Auto 5 (GTA 5 para os íntimos), por exemplo, você poderia ter o seu delinquente enfeitado com pecado para os químicos: uma molécula contendo um carbono com 5 ligações!!

Não são somente os químicos que são mal representados no mundo digital. No inicio dos anos 90, a Sierra lançou Freddy Pharkas: frontier pharmacist (Freddy Pharkas: farmacêutico da fronteira, tradução literal), um adventure point and click em que eventualmente você tem preparar ‘remédios’ no velho oeste americano. Faça isso direito e você livrará a cidade de uma onda de flatulência explosiva. Mas se fizer errado, é capaz de você fazer crescer uma barba vistosa na sua doce amada Penélope.

Não podemos esquecer que existe algumas pedras preciosas, onde jogos e química reagem muito bem. Por meio de pesquisas colaborativas usando gameficação – transformando dados em jogos e distribuindo isso para o publico geral – é uma ótima oportunidade para a ciência. Essas equipes já possibilitaram a exploração de outras galáxias de interesse

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Fonte: Molcraft Website

para os astrônomos ou escavar bases de dados em busca de novos remédios. O jogo mais vendido do século 21, Minecraft, possibilita os jogadores usar a sua imaginação com algo similar a um Lego virtual. Com o jogo, estudantes do departamento de química da universidade de Hull com apoio da Royal Society of Chemistry criaram Molcraft: a virtual world filled with oversized molecules to explore (Molcraft: um mundo virtual cheio de moléculas para explorar, tradução literal). Os desenvolvedores foram capazes de representar moléculas complexas como a mioglobina.

Esses jogos ainda são focados em ensinar química ou servir ao um proposito mais acadêmico e não somente parte da narrativa. Em Adventures of Sherlock Holmes é um dos jogos de mistério mais populares atualmente e uma tiragem de milhões de cópias mundialmente. Em cada parte da aventura, o jogador necessita, ao menos uma vez, usar alguns conceitos químicos para passa de fase. Química pode ser divertida nos vídeo games, e não somente como barman!

O editor do artigo chegou a perguntar para a Bioware, desenvolvedora do jogo, qual o motivo que o laboratório de química foi transformado em um bar. Infelizmente não houve nenhuma resposta.

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Artigo original publicado na revista Chemistry World (link)

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